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sexta-feira, abril 27, 2007

Minoridade penal


Foi aprovado ontem, dia 26/04, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, o projeto para a redução da maioridade penal para 16 anos. Assistindo ao Jornal Nacional vi, pela risadinha de escárnio da apresentadora, Fátima Bernades, que a nação (?) endossa a lei com certo gozo. Sinceramente, não vejo graça nenhuma naqueles senhores gordos decidindo o futuro (?) do país; ainda mais em questões tão sérias como violência/criminalidade ou educação. Também, claro, não sou tolo de achar que os criminosos são pobres-coitados-frutos-de-um-sistema-podre e, por isso, devemos esperar dos céus uma solução rápida, fácil e... errada! Não, nada disso. A questão toda, penso, é que nesse caso estarão, os senhores políticos, fazendo um jogo com a população em que os maiores beneficiados serão eles mesmos (os políticos, claro!) enquanto a sociedade brasileira como um todo sairá perdendo, como sempre. Uma questão tão delicada quanto essa não pode ser aprovada assim tão facilmente; é necessário não só um diálogo mais amplo com a população, como reformas profundas na sociedade. Além do mais, sabemos que o sistema de encarceramento como forma de punição é nada mais que um processo de produção em série de marginais... Se aprovado esse projeto de diminuição da maioridade penal o problema da criminalidade não será resolvido (nem debatido) e, ato contínuo, os presídios públicos (além de superlotados) formarão criminosos cada vez mais perigosos com uma idade menor. Ou seja, o que já é ruim pode piorar.

sábado, fevereiro 10, 2007

O pessimismo nos salvará


O fim-do-mundo é logo aqui, e isso é bom.

Explico: se a desesperança é a tônica dominante de nossas expectativas quanto ao futuro próximo [também o longínquo], não nos resta nada além do desapego. E, dizem, o apego é o mal do mundo. Portanto, minha cara, a desesperança nos libertará.

Explico melhor: se na década de 1950 e meados da 1960 o Brasil era o país do futuro e deu no que deu, agora que não temos tempo [nem espaço] para otimismos estamos livres, já que não temos mais apego algum para a idéia do Brasil como uma nação. E isso eu acho maravilhoso. Alguém já reparou nas merdas que aconteceram por conta dessa idéia obscena? Pois bem, o que irá nos salvar é a total desesperança no país. Sem uma idéia de nação a turvar-nos os sentidos podemos preocuparmo-nos com coisas mais importantes como: nós mesmos e nossa vizinhança.

Outra: se quando a humanidade pensava que estava numa locomotiva à mil, rumo a um futuro luminoso, e deu no deu. Podemos ver uma luz no fim do túnel agora que estamos caminhando para um apocalipse biológico. A humanidade com uma certeza é um perigo! É só lembrar das merdas que o cristianismo, o colonialismo e o socialismo já fizeram. É preciso um tragédia iminente, com a obscuridade agarrada a seus pêlos, para não saírmos como as bestas loucas que somos promovendo extermínios e passando por cima de nosso próprio habitat...

Bem, claro que nada é tão simples assim; afinal, a humanidade ainda não parou de fazer merdas [nem com o apocalipse sob os pés], nem os brasileiros tornaram-se um povo menos tosco - mas a desesperança já é um bom sinal. Ou eu que sou um otimista inveterado.