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sexta-feira, junho 22, 2007

Por um nova cidade



No vídeo acima há uma interessante entrevista com ex-prefeito de Bogotá, Enrique Peñalosa. Como prefeito da capital da Colombia, Peñalosa implementou um novo modelo de mobilidade na cidade, colocando o pedestre (e diversos meios de transportes ativos, incluindo-se aí o transporte público) como foco central das políticas públicas. O que se vê através das imagens e da fala do ex-prefeito é que uma nova cidade é possível: uma cidade em que o carro não é o senhor, com ruas que possibitam o convívio dos cidadãos e que expressam a alegria de se compartilhar um espaço público. Bacana!

(vídeo retirado de Apocalipse Motorizado)

domingo, fevereiro 11, 2007

Bicicleta


Há mais de dois anos ando de bicicleta pelo menos três vezes por semana. O uso da bicicleta como meio alternativo de transporte me deu a possibilidade de conhecer minha cidade [pelo menos os bairros próximos] por uma perspectiva bem diferente, imperceptível de dentro da cabine de um carro. Assim como me forneceu a exata noção da selvageria que é o trânsito. Pedalando, posso perceber que os sinais de trânsito, assim como algumas de suas leis básicas, são mero adorno. Os automóveis vêem a cidade como passagem; as praças, as faixas de pedestres, os sinais, os ciclistas e os outros veículos são meros obstáculos que, se possível, deveriam ser eliminados. Parece-me que a verdadeira lei é a da SELVA.

Desde que re-descobri a bicicleta como meio de transporte tenho me interessado pelas organizações e movimentos de afirmação da bicicleta como meio de transporte alternativo. Descobri, por exemplo, que em várias cidades do mundo a bicicleta está cada vez mais incluída nos projetos híbridos de transporte. E que há movimentos por todo o planeta para o desmonte do modelo de transporte individual[ista] baseado no automóvel. Aqui, infelizmente, temos poucas iniciativas desse tipo, o governo ainda serve a um modelo excludente [e lucrativo] de transporte que favorece somente à indústria automobilística; por esse mesmo motivo torna-se quase impossível o uso de bicicleta [mesmo o de transporte público] como meio principal de locomoção nas grandes cidades brasileiras. O cidadão [e a cidade] sofre[m] com esse modelo que encerra a todos nós num inferno de carros e fumaça.

Projetos que valorizam o transporte público e a construção de ciclovias deveriam ter maior ênfase no Brasil, já que a grande maioria da população não possui automóvel e as grandes cidades já não os suportam. Mas, infelizmente, estamos ocupados demais para preocuparmos com "o caminho entre o trabalho e a nossa casa" que as cidades brasileiras se tornaram e não percebemos que estamos vivendo num inferno cotidiano, e reproduzindo-o todos os dias.